Audiência pública no Senado discute redução do nível do Reservatório de Furnas

Uma audiência pública nesta quinta-feira (5) no Senado Federal, em Brasília (DF), vai discutir o nível da Represa de Furnas. Um grupo nas redes sociais que já tem cerca de 200 mil adeptos mobilizou autoridades para discutir sobre o nível do lago, que está abaixo da cota 762, vista como ideal para moradores e comerciantes. Na audiência pública em Brasília, as diretores de Furnas e do ONS devem dar explicações técnicas sobre a represa, que impacta 39 municípios no Sul de Sudoeste de Minas Gerais.

De acordo com dados disponibilizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o nível e o volume do Lago de Furnas começaram a subir em comparação ao mesmo período do ano passado.

Em março de 2019, o nível era de 759,8 metros. Já neste ano, o nível está em 760,5 metros. A mesma situação acontece quado analisamos o volume. Em março do ano passado, ele era de 42,45% da capacidade, enquanto atualmente o volume é de 46,73%, quase metade do volume útil.

Furnas Centrais Elétricas informou que os custos de operação nessa quantidade seriam multo altos, chegando a R$ 718 milhões e que a cota mínima regulada por um acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA) é de 750 metros acima do nível do mar.

Segundo Furnas, reservatório contribui para abastecer outras oito hidrelétricas e para navegação de hidrovia.

Ainda conforme Furnas, o nível atual está baixo por conta do abastecimento de outras oito hidrelétricas que ficam à jusante, abaixo do nível da Hidrelétrica de Furnas e pela contribuição para a navegação da Hidrovia Tietê-Paraná.

Furnas informou que cumpre as determinações dos órgãos de regulação e gestão dos setores elétricos e hídricos nacionais. Caso a cota mínima de 762 metros seja atendida, haverá consequências como a perda de armazenamento de água para toda a região, a perda de 1.687 megawats médios anuais nas cascatas dos Rio Grande ao Paraná, aumento de tarifa para o consumidor final, além de consequências ambientais para todas as usinas da Bacia do Rio Grande.

Já a Agência Nacional de Águas informou que a outorga prevê que Furnas opere com o nível de água máximo igual a 768 metros e o nível de água mínimo igual a 750 metros. A ANA informou ainda que os níveis de acumulação reduzidos, eventualmente percebidos no reservatório, decorrem de condições climáticas desfavoráveis na bacia hidrográfica de contribuição e de operações dorenergéticas e que Furnas tem operado dentro dos limites, sem violação às condições estabelecidas na outorga mencionada.

Fonte: G1 Sul de Minas